Enxergando o Cenário Completo | por Michael Berg

Em um nível literal, a porção de Shmini fala sobre o ponto máximo da Luz que foi revelada através de todo o trabalho que os Israelitas e Moisés fizeram na construção do Tabernáculo. A porção começa, "E aconteceu que no oitavo dia, Moisés chamou Aarão e seus filhos, e os anciãos de Israel..." Uma vez que a estrutura física tinha sido erguida, Moisés trabalhou sozinho dentro do Tabernáculo por mais oito dias, então chamou Aarão e seus filhos e os anciãos de Israel para participarem.

Moisés e Aarão experimentaram muita dificuldade antes que a Luz do Criador finalmente repousasse no Tabernáculo. No entanto, ocorreu algo mais que, se olharmos literalmente, parece ser a pior coisa do mundo que um pai poderia experimentar. Porém uma vez que entendemos o que realmente aconteceu, recebemos um novo insight sobre a vida.

A porção diz que depois que a Shechinah veio descansar no Tabernáculo, dois dos quatro filhos de Aarão, Nadab e Avihu, entraram no Tabernáculo e morreram. A Torá então nos diz: "...e Aarão ficou em silêncio." Os kabalistas explicam que Aarão não só estava calado, mas ele estava cheio de alegria. Como isso poderia ser? Seus filhos tinham acabado de sair deste mundo!

A maioria de nós já sabe, num grau maior ou menor, o ensinamento que eu vou discutir, mas espero que a dádiva do Shabbat Shmini o torne verdadeiramente uma parte de nossas almas. A única razão pela qual sentimos dor, medo ou preocupação é porque não estamos conectados ou não enxergamos o cenário completo. E assim, vamos olhar para o que aconteceu aqui do ponto de vista de Aarão: alguém com visão, alguém que foi dotado com a capacidade de enxergar o cenário completo. O Zohar explica que essas duas almas, Nadav e Avihu, foram duas das maiores almas daquela geração, e que esse oitavo dia foi um dia em que o mundo alcançou uma das maiores elevações da história.

Então, neste momento, foi revelado a Aarão, Nadav e Avihu que os dois filhos tinham uma escolha: eles poderiam permanecer neste mundo e viver o resto de suas vidas, ou eles poderiam preparar suas almas para um trabalho ainda mais importante. Com isso, depois que as duas almas de Nadav e Avihu escolheram deixar o mundo, elas se elevaram cada vez mais. Elevaram-se tão alto, que suas almas se juntaram com a alma de Pinchas quando ele deixou seu corpo enquanto matava Cozbi e Zimri, e juntos retornaram à Terra onde se tornaram a alma do profeta Elias. Portanto, as almas de Pinchas, Nadav e Avihu - juntas - formaram a maior revelação para a remoção da dor, do sofrimento e da morte em nosso mundo.

Se pudéssemos enxergar o que realmente ocorreu com essas almas, como Aarão pôde, perceberíamos que não há dor. A razão pela qual sentimos dor quando alguém morre é porque há uma desconexão - não há clareza sobre o que está acontecendo com a alma que acaba de partir. Há um sentimento de falta de conexão, porque não podemos mais vê-lo ou falar com ele. Mas Aarão pôde enxergar as almas de Nadav e Avihu, e ele nunca se desconectou delas, nem por um segundo; ele também foi capaz de enxergar o que eles estavam fazendo e falar com eles eternamente. Ele viu suas almas se elevando em preparação para serem canais de Bilah HaMavet LaNetzach, a Remoção da Morte para Sempre, de nosso mundo.

Porque Aarão tinha visão clara, ele nunca perdeu a conexão com seus filhos. Ele viu que o processo pelo qual suas almas estavam passando não era negativo ou doloroso, mas sim um processo de preparação para se tornar o canal para a Luz que é chamada de "O Profeta Elias." No entanto, ainda mais do que isso, Aarão alcançou um nível de alegria que nunca sentira antes, porque, como ele se tornou mais fortemente ligado aos seus filhos, foi capaz de experimentar a alegria de enxergar para o que seus filhos estavam preparando suas almas.

A maioria de nós não está no nível de Aarão. Não temos essa clareza de visão e, portanto, o que aprendemos com esse ensinamento é que a única razão pela qual sentimos dor ou medo é porque não temos conexão com o cenário completo, com a totalidade da visão.

Se não nos forçarmos para nos conectar com essa visão maior, sentiremos dor em nossas vidas, e ainda assim só poderemos obter essa totalidade e clareza de visão pedindo por ela. Como fazemos isso? Primeiro precisamos entender o que é a clareza da visão, e então temos que pedir por ela. Sem um recipiente, sem um verdadeiro desejo por essa clareza de visão, não podemos receber essa dádiva. Tem que começar com a percepção de que, se faltar clareza, se nos faltar a visão de compreender a totalidade, sempre haverá dor em nossas vidas, num grau maior ou menor. Por outro lado, se estivermos trabalhando para obter esta clareza de visão, poderemos chegar a um ponto, como Aarão chegou nesta porção de Shmini, onde não haja dor, onde não haja medo.

O Ramchal (Rav Moshe Chaim Luzzato, 1707-1746) dá um grande exemplo demonstrando a diferença entre alguém que está completamente conectado e alguém que está desconectado. Ele diz que é a mesma diferença que há entre ver um grande labirinto de cima, onde você pode enxergar claramente o caminho de entrada e de saída, e estar dentro do labirinto e não poder enxergar a sua totalidade podendo, portanto, se perder ou ficar preso nele.

Gostaria de compartilhar uma ferramenta prática que todos nós podemos começar a usar para atingir essa totalidade de visão. Ao longo de nossas vidas, geralmente de pequenas formas, há coisas que acontecem que não fazem sentido para nós: ele fez isso, ou ela fez aquilo, isso aconteceu, ou aquilo aconteceu... Não as coisas grandes, mas as pequenas coisas que ocorrem de 20 a 30 vezes por dia. São nossas reações a essas pequenas coisas que indicam se estamos no processo de visão completa ou não.

Precisamos chegar no ponto em que, quando algo acontece ou alguém faz algo que nos perturba ou nos incomoda, saibamos que, mesmo que não entendamos completamente por quê isso aconteceu, decidimos nos concentrar em confiar que, por qualquer motivo, o que ocorreu foi para o nosso melhor... que há um cenário maior. Quando nos sentimos felizes com o que aconteceu e pedimos que essa aceitação nos conecte com a visão maior, acabaremos chegando no ponto em que alcançaremos essa conexão completa e totalidade de visão o tempo todo; momento em que não haverá mais medo, não haverá mais dor, não haverá mais preocupação.

Neste Shabat, tem que ser nossa prioridade pedir esse tipo de conexão e clareza de visão, porque a verdade é que não temos escolha. Se não fizermos disso nosso trabalho diário, a vida, de um jeito ou de outro, terá graus maiores ou menores de dor, medo e preocupação. E assim, nesta semana, podemos nos conectar com o grande presente da assistência que Aarão nos dá, para começarmos a ser capazes de enxergar, verdadeiramente, o cenário completo.

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Em um nível literal, a porção de Shmini fala sobre o ponto máximo da Luz que foi revelada através de todo o trabalho que os Israelitas e Moisés fizeram na construção do Tabernáculo. A porção começa, "E aconteceu que no oitavo dia, Moisés chamou Aarão e seus filhos, e os anciãos de Israel..." Uma vez que a estrutura física tinha sido erguida, Moisés trabalhou sozinho dentro do Tabernáculo por mais oito dias, então chamou Aarão e seus filhos e os anciãos de Israel para participarem.

Moisés e Aarão experimentaram muita dificuldade antes que a Luz do Criador finalmente repousasse no Tabernáculo. No entanto, ocorreu algo mais que, se olharmos literalmente, parece ser a pior coisa do mundo que um pai poderia experimentar. Porém uma vez que entendemos o que realmente aconteceu, recebemos um novo insight sobre a vida.

A porção diz que depois que a Shechinah veio descansar no Tabernáculo, dois dos quatro filhos de Aarão, Nadab e Avihu, entraram no Tabernáculo e morreram. A Torá então nos diz: "...e Aarão ficou em silêncio." Os kabalistas explicam que Aarão não só estava calado, mas ele estava cheio de alegria. Como isso poderia ser? Seus filhos tinham acabado de sair deste mundo!

A maioria de nós já sabe, num grau maior ou menor, o ensinamento que eu vou discutir, mas espero que a dádiva do Shabbat Shmini o torne verdadeiramente uma parte de nossas almas. A única razão pela qual sentimos dor, medo ou preocupação é porque não estamos conectados ou não enxergamos o cenário completo. E assim, vamos olhar para o que aconteceu aqui do ponto de vista de Aarão: alguém com visão, alguém que foi dotado com a capacidade de enxergar o cenário completo. O Zohar explica que essas duas almas, Nadav e Avihu, foram duas das maiores almas daquela geração, e que esse oitavo dia foi um dia em que o mundo alcançou uma das maiores elevações da história.

Então, neste momento, foi revelado a Aarão, Nadav e Avihu que os dois filhos tinham uma escolha: eles poderiam permanecer neste mundo e viver o resto de suas vidas, ou eles poderiam preparar suas almas para um trabalho ainda mais importante. Com isso, depois que as duas almas de Nadav e Avihu escolheram deixar o mundo, elas se elevaram cada vez mais. Elevaram-se tão alto, que suas almas se juntaram com a alma de Pinchas quando ele deixou seu corpo enquanto matava Cozbi e Zimri, e juntos retornaram à Terra onde se tornaram a alma do profeta Elias. Portanto, as almas de Pinchas, Nadav e Avihu - juntas - formaram a maior revelação para a remoção da dor, do sofrimento e da morte em nosso mundo.

Se pudéssemos enxergar o que realmente ocorreu com essas almas, como Aarão pôde, perceberíamos que não há dor. A razão pela qual sentimos dor quando alguém morre é porque há uma desconexão - não há clareza sobre o que está acontecendo com a alma que acaba de partir. Há um sentimento de falta de conexão, porque não podemos mais vê-lo ou falar com ele. Mas Aarão pôde enxergar as almas de Nadav e Avihu, e ele nunca se desconectou delas, nem por um segundo; ele também foi capaz de enxergar o que eles estavam fazendo e falar com eles eternamente. Ele viu suas almas se elevando em preparação para serem canais de Bilah HaMavet LaNetzach, a Remoção da Morte para Sempre, de nosso mundo.

Porque Aarão tinha visão clara, ele nunca perdeu a conexão com seus filhos. Ele viu que o processo pelo qual suas almas estavam passando não era negativo ou doloroso, mas sim um processo de preparação para se tornar o canal para a Luz que é chamada de "O Profeta Elias." No entanto, ainda mais do que isso, Aarão alcançou um nível de alegria que nunca sentira antes, porque, como ele se tornou mais fortemente ligado aos seus filhos, foi capaz de experimentar a alegria de enxergar para o que seus filhos estavam preparando suas almas.

A maioria de nós não está no nível de Aarão. Não temos essa clareza de visão e, portanto, o que aprendemos com esse ensinamento é que a única razão pela qual sentimos dor ou medo é porque não temos conexão com o cenário completo, com a totalidade da visão.

Se não nos forçarmos para nos conectar com essa visão maior, sentiremos dor em nossas vidas, e ainda assim só poderemos obter essa totalidade e clareza de visão pedindo por ela. Como fazemos isso? Primeiro precisamos entender o que é a clareza da visão, e então temos que pedir por ela. Sem um recipiente, sem um verdadeiro desejo por essa clareza de visão, não podemos receber essa dádiva. Tem que começar com a percepção de que, se faltar clareza, se nos faltar a visão de compreender a totalidade, sempre haverá dor em nossas vidas, num grau maior ou menor. Por outro lado, se estivermos trabalhando para obter esta clareza de visão, poderemos chegar a um ponto, como Aarão chegou nesta porção de Shmini, onde não haja dor, onde não haja medo.

O Ramchal (Rav Moshe Chaim Luzzato, 1707-1746) dá um grande exemplo demonstrando a diferença entre alguém que está completamente conectado e alguém que está desconectado. Ele diz que é a mesma diferença que há entre ver um grande labirinto de cima, onde você pode enxergar claramente o caminho de entrada e de saída, e estar dentro do labirinto e não poder enxergar a sua totalidade podendo, portanto, se perder ou ficar preso nele.

Gostaria de compartilhar uma ferramenta prática que todos nós podemos começar a usar para atingir essa totalidade de visão. Ao longo de nossas vidas, geralmente de pequenas formas, há coisas que acontecem que não fazem sentido para nós: ele fez isso, ou ela fez aquilo, isso aconteceu, ou aquilo aconteceu... Não as coisas grandes, mas as pequenas coisas que ocorrem de 20 a 30 vezes por dia. São nossas reações a essas pequenas coisas que indicam se estamos no processo de visão completa ou não.

Precisamos chegar no ponto em que, quando algo acontece ou alguém faz algo que nos perturba ou nos incomoda, saibamos que, mesmo que não entendamos completamente por quê isso aconteceu, decidimos nos concentrar em confiar que, por qualquer motivo, o que ocorreu foi para o nosso melhor... que há um cenário maior. Quando nos sentimos felizes com o que aconteceu e pedimos que essa aceitação nos conecte com a visão maior, acabaremos chegando no ponto em que alcançaremos essa conexão completa e totalidade de visão o tempo todo; momento em que não haverá mais medo, não haverá mais dor, não haverá mais preocupação.

Neste Shabat, tem que ser nossa prioridade pedir esse tipo de conexão e clareza de visão, porque a verdade é que não temos escolha. Se não fizermos disso nosso trabalho diário, a vida, de um jeito ou de outro, terá graus maiores ou menores de dor, medo e preocupação. E assim, nesta semana, podemos nos conectar com o grande presente da assistência que Aarão nos dá, para começarmos a ser capazes de enxergar, verdadeiramente, o cenário completo.

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