De Volta para o Futuro | por Rav Berg

A Bíblia se refere a Rosh Hashaná como o sétimo mês do ano. Então, a questão que enfrentamos aqui é como conciliar que o dia do Ano Novo (Rosh Hashaná) pode ser considerado como ocorrendo no sétimo mês? A maioria de nós, se não todos nós, simplesmente não está acostumada a desejar uns aos outros feliz Ano Novo em qualquer outro dia senão em 1º de janeiro. Mesmo assim o primeiro mês do ano é o mês hebraico de Nisan, ou o mês de Áries, não Tishrei (Libra) no qual o Rosh Hashaná ocorre.

Além disso, o Talmud e o Zohar deixam absolutamente claro que o Rosh Hashaná abarca todas as pessoas do mundo. De acordo com o Talmud e o Zohar, no primeiro dia de Tishrei, o mês de Libra, o futuro de cada indivíduo da população do mundo inteiro será determinado, ao ponto de se um ano adicional de vida ou uma parcela disso será estendida até o ano seguinte.

Vamos responder primeiro à denominação bíblica de Áries ser o primeiro mês do ano. O que isso significa kabalisticamente é que o mês de Áries incorpora a estrutura interna da Força da Luz com a qual a humanidade pode controlar sobre o mandato dado ao Satan ou a Lei de Murphy para criar confusão e devastação no Universo. O mês de Nisan ou Áries é a oportunidade dada à humanidade para remover a semente da Lei de Murphy do caos, a atividade do Desejo de Receber Para Si Mesmo.

É sobre isso que o Pêssach se trata. Com o software provido pela Torah e a Kabbalah, toda a humanidade pode agora acessar o hardware universal da realidade da Árvore da Vida onde o caos é inexistente e é precisamente a razão pela qual Áries, ou o mês de Nisan, é considerado o primeiro mês do ano: para ligar o significado interno desta força de energia externa para nos prover um ano completo de vida livre do caos e da incerteza. Isso é o que tempo e liberdade verdadeira significam. É por isso que o Zohar interpretou a liberação da escravidão no Egito como uma mera metáfora. A narrativa inteira a respeito do Egito é uma metáfora. A Torah não estava preocupada com a história do Egito e dos Israelitas. Egito era a semente do caos e da Lei de Murphy.  A narrativa inteira sobre o Egito contém o software oculto e secreto para que a humanidade alcance liberdade real em qualquer momento futuro no tempo por todas as gerações futuras.

Esses conceitos a respeito da Bíblia e do Monte Sinai tiveram que esperar até o século XX quando, através do Rav Ashlag, a Kabbalah e o Zohar se tornaram acessíveis para toda a humanidade. Áries e Pêssach se tornaram um experiência verdadeiramente significativa. Mais uma vez nós podemos assumir o controle sobre nossas vidas ao invés de sentar no banco de trás conduzidos pelo sr. Murphy com seu exército de caos perpétuo. No mês de Áries acontece a batalha sobre quem vai estar no comando. Não há dúvida sobre quem controlou as avenidas da vida até agora: Satan, com suas distrações e encargos de caos. As coisas mudaram de rumo. A Kabbalah agora alcançou o homem leigo.

Entretanto, Libra, ou o mês hebraico de Tishrei, é o tempo quando a humanidade é julgada pelos seu desempenho passado. Se as atividades anteriores de um indivíduo consistem sobretudo de pontos negativos, então a essa pessoa não será concedido um ano de vida desprovido de negatividade, que vem como resultado direto das ações daquele indivíduo. Por outro lado, para o indivíduo cujos atos se acumulam no lado positivo da balança, o próximo ano trará consigo uma vida de positividade. Mais importante, se nós falamos em remover a presença da Lei de Murphy durante o mês de Áries, então as chances de ações positivas serão menores, e provavelmente resultarão no estabelecimento, em Rosh Hashaná, de um ano cheio de caos e desordem. A estrutura da longa jornada do ano novo de uma pessoa é determinada em Libra, conforme o aporte de suas ações.

Essa cena é uma do livro Ardil 22. As estradas da humanidade estão cheias de destroços de dor e sofrimento. Parece não existir saída para essa loucura. Alguém pode ser agraciado financeiramente com muito, então o caos de uma saúde precária ou outro tipo de caos pode se manifestar. Nenhum homem está livre desse jugo. O padrão para o ano seguinte já está talhado. A predominância da negatividade em nossa sociedade é patente. Nós somos influenciados pelo ambiente de negatividade a despeito de nossos esforços em fazer o que é certo. Parece não haver nenhuma oportunidade de lutar contra o fluxo de consciência negativa que domina a maior parte de nós. Então, em Rosh Hashaná, toda a humanidade será sujeita a um ano novo de caos, que por sua vez, trará sobre nós mais ações negativas e assim por diante. E se, de alguma forma, existir para nós uma forma de mudarmos esse modelo? A vida deve sempre continuar como ela era no passado com Satan assistindo com alegria e prazer a nossos dilemas? A história certamente dará testemunho de que nós temos sido incapazes de nos remover desse padrão, ou de qualquer maneira alterar a rotina usual de caos e incerteza. Contudo, com a ampla distribuição do conhecimento kabalístico e informação, muitos das interpretações equivocadas e corrompidas, e meias-verdades sobre o Monte Sinai e as aberturas cósmicas kabalísticas, estão vindo à tona. Lentamente mas de forma segura, elas estão se revelando como aquilo que realmente são: acessórios para anestesiar nossa consciência fazendo com que consideremos que precisamos dar um salto de fé para restaurar a bela vida que o Criador nos prometeu.

Nós, neste século XX, agora percebemos que nos foi dado o controle sobre nosso destino. E  caso nós falhemos em sermos donos de nossos próprios destinos, não temos ninguém a quem culpar senão a nós mesmos. Nós somos os capitães de nosso navio.

Para alcançarmos o resultado de nossos bons votos em Rosh Hashaná, não temos nenhuma escolha senão nos familiarizarmos com o software que pode nos assegurar o próximo ano com o benefício da Força da Luz, cheio de certeza e ordem na jornada de nossa vida.

Não temos mais que aceitar as expressões familiares em nossas vidas em termos de “afortunado” ou “desafortunado”.

Nós temos a obrigação e responsabilidade de fazer todo esforço para comprometer nossa consciência com a de compartilhar. Essa tarefa é semelhante para todas as pessoas. Elul e Tishrei são para forçar o software ao seu extremo e mudar a história e a direção da humanidade.

Elul tornou-se associado com a constelação de Virgem pelo Livro da Formação de autoria do patriarca  Abraão. Por que Abraão estabeleceu essa conexão? Como eu tenho afirmado de modo reiterado, o propósito dessas denominações por Abraão tinham o objetivo unicamente de beneficiar a humanidade. Através do texto de Gênesis, a Força da Luz fez toda a tentativa de facilitar e melhorar o estilo de vida da humanidade a despeito da evidência ao contrário. No entanto, a culpa não recai na criação, mas ao sim aos praticantes que falharam em se beneficiar das ferramentas de combate as forças do caos e da desordem. Quando Abraão afirmou que o mês de Elul refere-se ao signo de Virgem, ele estava dando as pistas para o software que opera durante esse mês.

Virgem deriva do conceito de virgem, significando intocado ou livre de adulteração ou corrupção. Existe um poder nesse mês que pode nos proporcionar a oportunidade de nos recuperarmos e permanecermos livres das atividades desvirtuadas que nós possamos ter cometido no passado. Nós temos a chance de apagar o passado e limpar nossa lousa das transgressões das leis e dos princípios universais. Na terminologia kabalística, isso é conhecido como “de volta para o futuro”. Por mais estranho que pareça, arrependimento é um procedimento através do qual nós podemos viajar de volta no tempo e apagar nossa negatividade, e consequentemente selecionar e estabelecer nosso futuro livre do caos e infortúnios. Embora muito tenha-se escrito sobre “de volta para o futuro”, sua origem e compreensão permanece muito difícil de compreender, senão um completo mistério. Contudo, a Kabbalah desmistifica esse novo neologismo tornando clara a perspectiva de sua implicação. O Zohar, quando trata da idéia de arrependimento, examina o DNA hebraico da estrutura desse conceito que é Teshuvah (arrependimento). O Zohar oferece um mecanismo pelo qual o arrependimento assume um lugar mais significativo em nossas vidas. As letras hebraicas que formam a palavra “Teshuvah”, literalmente significam “retorne o Hei final”, é disso que se trata o arrependimento, afirma o Zohar. A visão padrão tradicional de “Me desculpe e não vou fazer isso de novo” simplesmente distorce o propósito intrínseco do arrependimento.

 

Tetragrama

 

Em termos gerais, o Zohar se refere ao Hei final do Tetragrama, intimamente alinhado com a realidade da Árvore do Conhecimento, onde confusão, caos e o lugar onde nossas transgressões e ofensas ocorrem. O que o Zohar sugere é que o ano vindouro depende completamente de nossas ações passadas. E se sua fita cassete passada está cheia de ações de consciência negativa, então nós precisamos buscar a rota pela qual possamos eliminar a negatividade para assegurar para nós mesmos um Ano Novo saudável e alegre. Precisamos retornar nosso estado de consciência negativo (o Hei final onde essa atividade tem lugar e é mantida) ao nível da realidade da Árvore da Vida onde não há falhas, caos, confusão ou consciência negativa, retornar esse Hei final para o Vav (a realidade da Árvore da Vida) do Tetragrama. Um Ano Novo maravilhoso não pode ser conquistado apenas golpeando e batendo em nossos corações até ficarmos tontos. Mesmo que esse tenha sido o método convencional e tradicional de Teshuvah nas Aberturas Cósmicas, o resultado desse exercício não provocou nenhuma mudança material na forma que a humanidade experiencia o advento de cada Ano Novo.    

Há muito para ser desejado. Nem as aberturas cósmicas de Libra nem o mês de Elul alcançaram realmente o resultado de nossas expectativas com seu serviço e adoração. Alguma coisa está verdadeiramente faltando e não basta apenas dar leves socos no coração. O caos sem fim em nossas vidas, ano após ano, não parece ter sido significativamente atenuado. Ao contrário, parece que nós acolhemos mais caos que ordem em nossa vida. O que o Zohar deseja enfatizar aqui diz respeito ao arrependimento e à consequente garantia de um futuro melhor no próximo ano, em oposição ao ano anterior, e que envolve mais que uma promessa de que a transgressão não será repetidas mais uma vez e que o remorso por ela não ocorrerá de novo. Cada ação, seja positiva ou negativa, cria uma uma força energética equivalente como resultado da consciência correspondente. Se nossa consciência estabelece algo com uma característica negativa, então ela deve ser eliminada. Caso contrário, essa força negativa se torna parte de nosso software futuro que determina e afeta nossas vidas. A introdução de transgressões na rotina de nossas vidas irá inevitavelmente resultar numa vida de dor e sofrimento. Contudo, nós somos capazes de apagar nossas falhas, e pulverizar sua existência de tal modo que não reste nenhum traço de sua presença, aí então nossa fita cassete futura se tornará livre do caos e da desordem. Como alguém pode conquistar essa aparentemente impossível proeza de remover nossas atividades negativas passadas? Esse é o poder do mês de Elul. Durante esse período, o cosmos infunde a constelação de Virgem com a habilidade de remover qualquer adulteração ou impureza que pode ter se estabelecido pelas violações que nós cometemos. Então, essa é a pista dada pelo patriarca Abraão, quando ele atribuiu o nome Virgem à constelação que antecede Rosh Hashaná ou o mês hebraico de Tishrei (Libra).

O Criador nos deu essa oportunidade de retornar ao passado e procurar diligentemente nossa negatividade que pode afetar nosso futuro.

Essa possibilidade surgiu durante o mês de Elul para acessar nosso túnel do tempo cósmico que permite o fenômeno “de volta para o futuro”. Sem essa oportunidade, nós não temos nenhuma chance de remover o caos, a dor e o sofrimento de nossas vidas e ao nosso redor.        

Remorso e o comprometimento de se abster de contaminar ou violar as leis e princípios do universo, agora permite ao praticante embarcar na máquina do tempo que está em contínua operação no mês de Elul/Virgem, a qual vai transportar o praticante para viajar “de volta para o futuro”. Isso pode ser comparado ao cientista que embarca em sua maquina às 17:00 e volta no tempo para as 16:45, quando o cientista vê a si mesmo correndo para embarcar em sua máquina do tempo que está programada para decolar às 17:00. O paradoxo de todo esse fenômeno científico (aceito no meio científico) é que durante a viagem no tempo real, nossos relógios registrarão 17h01 se levar apenas um minuto para viajar de volta para 16:45. Então o cientista está viajando para frente e para trás no tempo.

Seja como for, com a viagem para o futuro nós podemos mudar nosso destino. As duas entidades celestiais que assistem a humanidade no esforço para mudar nosso futuro são o planeta Mercúrio e o signo de Virgem. Esses dois canais cósmicos foram designados para o propósito expresso de auxiliar a humanidade em nossa busca pela mudança de nosso ambiente caótico. Os israelitas aceitaram a responsabilidade de moldar a estrutura do universo, de alterar uma existência de caos para uma de ordem, um ambiente de dor e sofrimento para um de bem-aventurança e beneficência. A metodologia e software se tornaram novamente propriedade das pessoas. O conhecimento de como usar esse software continua a ser revelado em nosso tempo, não menos do que a tecnologia avançada que caminhou em passos gigantes.

As letras Reish e Yud, juntamente com outras letras hebraicas combinadas para formar o DNA cósmico que criou Mercúrio e Virgem, respectivamente. Meditar nessas duas letras e na sequência de seu DNA proporciona o controle necessário para alcançar a viagem no tempo em direção a de volta para o futuro, nossa única esperança de salvação, e de um Ano Novo aprimorado. O kabalista tomou a iniciativa de mudar a história. Os Kabbalah Centres ao redor do mundo estão criando as condições para que toda a humanidade acesse esse ensinamento universal da Kabbalah com seu software. O momento não poderia ser mais oportuno. A onda de milagres e destino já demonstraram a importância e a validade dessa grande  reviravolta criada pelo amplo interesse nos segredos da Kabbalah. Toda a humanidade está se unindo na aceitação desse agente agregador conhecido como Kabbalah. O mundo inteiro está sedento pelas verdades universais a respeito de nossa essência e existência. Conforme a humanidade se torna consciente das leis universais e princípios que governam os seres humanos, um futuro melhor está previsto, começando com um Ano Novo cheio de beneficência da Força da Luz e boa vontade para com nosso semelhante.

→ Para saber mais sobre Teshuvah no mês de Virgem, clique aqui

→ Leia artigo do Rav Berg sobre Shofar: Conhecendo o Som do Shofar