Assumir A Dor Dos Outros | por Michael Berg

Este é um Shabbat incrivelmente profundo e poderoso por muitas razões. O mais importante é que o Shabat Vayechi é o único Shabat do ano em que toda a Luz do Mashiach e do Gemar HaTikun, da Correção Final, é revelada.

Jacó queria compartilhar com seus filhos o que aconteceria no Fim dos Dias, mas ele sabia que não poderia fazê-lo de uma forma que fosse óbvia, então ele ocultou esta informação dentro da história de Vayechi. Portanto, todas as bênçãos de Jacó, que lemos em Vayechi, têm, naturalmente, seu significado literal, mas, mais importante ainda, a verdadeira Luz dessas palavras é a revelação do que ocorrerá na época da Redenção Final. Cada um de nós tem a oportunidade, nesta semana, de se conectar com o fim da dor, do sofrimento e da morte — e nós fazemos isso através dessa porção, através da totalidade da Luz que Jacó revelou neste Shabat.

A primeira palavra da história é "Vayechi", que significa "e ele viveu", e a Torah diz que Jacó viveu no Egito por dezessete anos, não que ele esteve no Egito por dezessete anos. Sabemos que nada na Torah é por acaso, então o que isso significa? O Zohar explica que a primeira palavra, "e ele viveu", indica que antes deste ponto, a vida de Jacó não estava realmente sendo vivida. Enquanto ele morava na terra de Israel, a vida de Jacó estava cheia de dor e tristeza. Foi somente quando ele desceu ao Egito, durante os últimos dezessete anos de sua vida, e viu que seu filho José era o braço direito do Faraó, e viu seus filhos e netos - todos os setenta membros de sua família - ele realmente experimentou alegria.

Jacó estava constantemente conectado com a Luz do Criador e era mais puro do que quase qualquer um que já tivesse vivido, então por que ele sofreu por todos aqueles anos de sua vida? Rav Isaac Luria,  o Ari, diz que os primeiros cento e trinta anos que Jacó viveu em Israel, foram os anos em que ele estava corrigindo o pecado de Adão. Uma das manifestações físicas do processo dessa correção é que ela traz abatimento, tristeza e falta do que chamamos de "chiut" — empolgação ou vida — e uma vez que Jacó assumiu a responsabilidade de corrigir o dano causado por Adão, ele teve que assumir a manifestação deste dano também. Todas as manhãs, Jacó acordava e tinha uma escolha a fazer, e ele escolheu a dor. Ele escolheu continuar a correção de Adão. Ele sabia que não poderia experimentar a alegria que estava destinada a ele até que completasse essa correção. É por isso que o Zohar diz que, durante aqueles primeiros cento e trinta anos, Jacó não teve vida. Somente quando ele desceu ao Egito, depois de ter terminado a correção de Adão, teve vida.

Para Jacó, tudo o que tinha experimentado até o momento de entrar no Egito não era dele. Nenhuma da dor, nenhuma escuridão, nenhuma correção era para si mesmo. Não era dele; nenhuma das suas dores estava relacionada com o trabalho que estava fazendo pessoalmente. Durante os primeiros cento e trinta anos de sua vida, ele estava sofrendo por causa de Adão, e estava sofrendo por nós. Devemos entender que todas as dificuldades na vida de Jacó — Esaú querendo matá-lo, Labão traindo-o, José sendo vendido como escravo e sendo separado dele todos esses anos — não aconteceram por causa de Jacó. Estes acontecimentos ocorreram, porque Jacó acordou todas as manhãs, e tomou sobre si a dor de Adão. Quando Jacó terminou a correção, o Criador disse: "É isso, Jacó, você completou a correção. Não há mais dor que você precise tomar sobre si mesmo", e então Jacó pôde viver os próximos dezessete anos para si mesmo.

A dor e o sofrimento que experimentamos hoje, provavelmente, não são nem um décimo de um por cento do que poderiam ter sido se Jacó não tivesse feito a correção de Adão. Por cento e trinta anos, uma tremenda dor e escuridão foram impostas a Jacó, para que ele pudesse realizar essa correção. Olhamos para nós mesmos e, às vezes, em nossa ignorância, não entendemos por que certas coisas acontecem. Pensamos: "Estou fazendo um trabalho muito bom. Como isso pode acontecer?" Precisamos entender que o que fazemos e as ações que realizamos não se aproximam das realizações espirituais de Jacó e que, independentemente da nossa dor, não está nem perto da enorme quantidade de dor que Jacó sofreu.

Parte do nosso trabalho espiritual implica em tomarmos sobre nós a dor dos outros. Devemos nos perguntar: "Quanta dor estou disposto a assumir para ajudar a outra pessoa?" Quanto mais disposição  tivermos em assumir essa dor dos outros e ajudá-los com sua correção, mais alcançaremos a nossa própria correção. Não estamos falando aqui de sentarmos, meditarmos na dor de outra pessoa e internalizá-la. Quando nos sentamos confortavelmente dando conselhos e assistência aos outros, podemos conseguir algo, mas não podemos verdadeiramente corrigir a nós mesmos ou ajudar os outros a se corrigirem... não, a menos que estejamos dispostos a assumir um certo grau de sua dor.

Quando abrimos esta porta, pode ser assustador, porque não sabemos de onde a dor virá, mas ainda temos que estar dispostos a aceitá-la para ajudar na correção dos outros. Porque este é o único Shabat do ano em que toda a Luz do Mashiach e a Redenção Final são reveladas e cada um de nós, quando ouvimos a leitura desta porção da Torah, pode se conectar com a Correção Final. Podemos também acessar esta grande revelação, despertando dentro de nós a disposição de assumir a dor de outra pessoa e ajudá-la a terminar sua correção. Quando estamos conectados com a Luz de Jacó a partir desta porção, quando temos essa consciência, podemos todos, com a ajuda de Deus, trazer uma tremenda revelação do Gemar HaTikun e a Luz do Mashiach para este mundo.

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Este é um Shabbat incrivelmente profundo e poderoso por muitas razões. O mais importante é que o Shabat Vayechi é o único Shabat do ano em que toda a Luz do Mashiach e do Gemar HaTikun, da Correção Final, é revelada.

Jacó queria compartilhar com seus filhos o que aconteceria no Fim dos Dias, mas ele sabia que não poderia fazê-lo de uma forma que fosse óbvia, então ele ocultou esta informação dentro da história de Vayechi. Portanto, todas as bênçãos de Jacó, que lemos em Vayechi, têm, naturalmente, seu significado literal, mas, mais importante ainda, a verdadeira Luz dessas palavras é a revelação do que ocorrerá na época da Redenção Final. Cada um de nós tem a oportunidade, nesta semana, de se conectar com o fim da dor, do sofrimento e da morte — e nós fazemos isso através dessa porção, através da totalidade da Luz que Jacó revelou neste Shabat.

A primeira palavra da história é "Vayechi", que significa "e ele viveu", e a Torah diz que Jacó viveu no Egito por dezessete anos, não que ele esteve no Egito por dezessete anos. Sabemos que nada na Torah é por acaso, então o que isso significa? O Zohar explica que a primeira palavra, "e ele viveu", indica que antes deste ponto, a vida de Jacó não estava realmente sendo vivida. Enquanto ele morava na terra de Israel, a vida de Jacó estava cheia de dor e tristeza. Foi somente quando ele desceu ao Egito, durante os últimos dezessete anos de sua vida, e viu que seu filho José era o braço direito do Faraó, e viu seus filhos e netos - todos os setenta membros de sua família - ele realmente experimentou alegria.

Jacó estava constantemente conectado com a Luz do Criador e era mais puro do que quase qualquer um que já tivesse vivido, então por que ele sofreu por todos aqueles anos de sua vida? Rav Isaac Luria,  o Ari, diz que os primeiros cento e trinta anos que Jacó viveu em Israel, foram os anos em que ele estava corrigindo o pecado de Adão. Uma das manifestações físicas do processo dessa correção é que ela traz abatimento, tristeza e falta do que chamamos de "chiut" — empolgação ou vida — e uma vez que Jacó assumiu a responsabilidade de corrigir o dano causado por Adão, ele teve que assumir a manifestação deste dano também. Todas as manhãs, Jacó acordava e tinha uma escolha a fazer, e ele escolheu a dor. Ele escolheu continuar a correção de Adão. Ele sabia que não poderia experimentar a alegria que estava destinada a ele até que completasse essa correção. É por isso que o Zohar diz que, durante aqueles primeiros cento e trinta anos, Jacó não teve vida. Somente quando ele desceu ao Egito, depois de ter terminado a correção de Adão, teve vida.

Para Jacó, tudo o que tinha experimentado até o momento de entrar no Egito não era dele. Nenhuma da dor, nenhuma escuridão, nenhuma correção era para si mesmo. Não era dele; nenhuma das suas dores estava relacionada com o trabalho que estava fazendo pessoalmente. Durante os primeiros cento e trinta anos de sua vida, ele estava sofrendo por causa de Adão, e estava sofrendo por nós. Devemos entender que todas as dificuldades na vida de Jacó — Esaú querendo matá-lo, Labão traindo-o, José sendo vendido como escravo e sendo separado dele todos esses anos — não aconteceram por causa de Jacó. Estes acontecimentos ocorreram, porque Jacó acordou todas as manhãs, e tomou sobre si a dor de Adão. Quando Jacó terminou a correção, o Criador disse: "É isso, Jacó, você completou a correção. Não há mais dor que você precise tomar sobre si mesmo", e então Jacó pôde viver os próximos dezessete anos para si mesmo.

A dor e o sofrimento que experimentamos hoje, provavelmente, não são nem um décimo de um por cento do que poderiam ter sido se Jacó não tivesse feito a correção de Adão. Por cento e trinta anos, uma tremenda dor e escuridão foram impostas a Jacó, para que ele pudesse realizar essa correção. Olhamos para nós mesmos e, às vezes, em nossa ignorância, não entendemos por que certas coisas acontecem. Pensamos: "Estou fazendo um trabalho muito bom. Como isso pode acontecer?" Precisamos entender que o que fazemos e as ações que realizamos não se aproximam das realizações espirituais de Jacó e que, independentemente da nossa dor, não está nem perto da enorme quantidade de dor que Jacó sofreu.

Parte do nosso trabalho espiritual implica em tomarmos sobre nós a dor dos outros. Devemos nos perguntar: "Quanta dor estou disposto a assumir para ajudar a outra pessoa?" Quanto mais disposição  tivermos em assumir essa dor dos outros e ajudá-los com sua correção, mais alcançaremos a nossa própria correção. Não estamos falando aqui de sentarmos, meditarmos na dor de outra pessoa e internalizá-la. Quando nos sentamos confortavelmente dando conselhos e assistência aos outros, podemos conseguir algo, mas não podemos verdadeiramente corrigir a nós mesmos ou ajudar os outros a se corrigirem... não, a menos que estejamos dispostos a assumir um certo grau de sua dor.

Quando abrimos esta porta, pode ser assustador, porque não sabemos de onde a dor virá, mas ainda temos que estar dispostos a aceitá-la para ajudar na correção dos outros. Porque este é o único Shabat do ano em que toda a Luz do Mashiach e a Redenção Final são reveladas e cada um de nós, quando ouvimos a leitura desta porção da Torah, pode se conectar com a Correção Final. Podemos também acessar esta grande revelação, despertando dentro de nós a disposição de assumir a dor de outra pessoa e ajudá-la a terminar sua correção. Quando estamos conectados com a Luz de Jacó a partir desta porção, quando temos essa consciência, podemos todos, com a ajuda de Deus, trazer uma tremenda revelação do Gemar HaTikun e a Luz do Mashiach para este mundo.

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